Olá, povo lindo!
Quando soube que teríamos
mais um ciclo de ACOTAR, eu já imaginava que seria a história da Nestha, então
acabei protelando um pouco o início da leitura. Mas, uma vez que comecei, não
tive problemas, pois, mesmo com o início mais lento (normal da fantasia) e a
protagonista não sendo minha personagem preferida, eu sabia que havia muito
potencial e uma boa história me esperando.
É notória a mudança de tom na narrativa. Nestha é ácida e sempre afiada, então seus pensamentos e diálogos são menos contidos e quase sempre assumem um tom defensivo. Acredito que alternar o ponto de vista com o Cassian tenha ajudado no equilíbrio, trazendo um tom mais leve e facilitando a fluidez da história. Isso também me ajudou a olhar para toda a trajetória com mais empatia.
“Ela carregava seus erros como se fossem uma sentença, quando ainda havia possibilidade de recomeçar.”
Eu não sou a maior fã de
livros de redenção, principalmente quando se trata da Sarah. Mas confesso que,
com a Nestha, ela fez de fato um trabalho brilhante. Não se trata simplesmente
de redimir a personagem e colocá-la nas graças dos leitores; ela lapidou tudo o
que a Nestha é e transformou a personagem em alguém que ela própria tem medo de ser.
É sobre pertencer, perdão, autoconhecimento e segundas chances. É uma trajetória bonita e humana, que ficou muito bem amarrada. E acredito que não há como ela regredir a personagem como fez com outros em TOG.
"O passado não desaparece, mas pode deixar de controlar o futuro."
Conhecer melhor o Cassian
eu considero um belíssimo bônus. ACOTAR já entrega muito sobre ele e sua
personalidade ao leitor, mas enxergá-lo em primeira pessoa é outra coisa. Aqui,
nenhuma surpresa: o illyriano é a perfeição em toda a sua glória.
Em uma análise breve, quero dizer que a química entre Nestha e Cassian é absurda, o que também não é novidade. Mas não é isso que faz a evolução da protagonista acontecer. O romance é parte do todo, do ato de confiar, de não desistir, mas não é o centro da mudança na personalidade de nenhuma das partes. Arrisco dizer que a relação deles nem é a mais importante da história.
“Continue estendendo a mão.”
A confiança gerada
a partir da relação com o Cassian ajuda Nestha a criar seu próprio grupo
de amigos, com destaque para Gwyn e Emerie. Essas três se reconhecem e se
acolhem de uma forma tão bonita que deixou meu coração quentinho.
Na mesma medida em que Nestha cria seu próprio círculo, ela continua lidando com questões internas relacionadas ao seu círculo íntimo, em especial com Feyre. É uma relação bem complicada, mas trabalhada para ser reconstruída. Já a irmã do meio… só Elain mesmo.
Até esse momento, eu não tinha entendido a raiva da Nestha com a Feyre. Mas, depois de escrever a resenha e colocar a cabecinha para pensar, acredito que o fato de a irmã ter encontrado pertencimento em sua nova vida, enquanto ela perdeu seu papel de protetora da planta “ops”, Elain , fez com que seu objetivo de vida ficasse à deriva, deixando-a ainda mais amargurada. Isso, somado às questões que as duas ainda carregavam da vida humana, explica um pouco desse ressentimento. Quando Nestha finalmente se permite pertencer sem viver com medo da perda, esse ressentimento começa, de certa forma, a perder o sentido. Até que chegamos a um final e tanto.
“Pela primeira vez, ela começa a perceber que talvez exista um lugar onde possa simplesmente existir.”
A meu ver, o livro começa a funcionar de verdade a partir do meio. Ele pega um embalo muito bom e fica bastante interessante. Termina de uma maneira reconfortante, já que, depois de tanto treinamento e evolução, a protagonista ainda mantém suas características, mas consegue lidar com elas de maneira mais madura, seguindo conscientemente em seu processo de cura.
“A cura não acontece de uma vez; ela é construída em pequenos passos, mesmo nos dias ruins.”
É isso! Esse livro é
complexo, principalmente porque a protagonista não facilita. Mas espero que
gostem da resenha.
Beijos e até a próxima!



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